Postagens

ainda bem que eu fiz cinema

Imagem
ontem eu ouvi “ainda bem que eu fiz cinema”. ainda bem que eu fiz cinema. parece que fazer cinema diz de um compromisso com o prazer, com a alegria, com a bobagem. diz de gente que escolheu fazer o que gosta mesmo depois da infância. ainda que a gente encontre muitos que abandonam a bobagem porque se levam a sério demais. ainda que a gente pague o preço de fazer o que gosta num mundo que remunera quem endurece mais. ainda bem que fiz cinema pelo prazer e pela bobagem, ainda sendo profundamente comprometida e dedicada. prazer é coisa séria. a gente que não é. ainda bem que meu dia a dia é falar de cinema. ainda bem que minha rotina é ver e ler as maravilhosas bobagens seríssimas que as pessoas filmam e os meninos escrevem. ainda bem que eu nunca me afastei do meu casamento longo e perfeito com o prazer. ainda bem que eu fiz cinema. 22 de maio

Trânsitos Bissexuais - Texto publicado no livro Conversas

Imagem
Participei do projeto do livro Conversas: oralidade e escrita em narrativas audiovisuais por mulheres (2026). Estive na equipe de produção editorial e colaborei como autora, escrevendo o texto Trânsitos Bissexuais .  O texto é um breve passeio pelas minhas ideias de representação e estéticas da bissexualidade a partir das minhas pesquisas desde a graduação. É um convite ao tema, na esperança que se despertem interesses para conversas mais longas.  Acesse o livro aqui. Meu texto está na página 209. O livro Conversas estrutura-se a partir do encontro com cinco realizadoras: Beth Formaggini, Isabel Casimira, Júnia Torres, Sophia Pinheiro e Sueli Maxakali. A publicação conta ainda com uma seção de entrevistas e ensaios inéditos realizados por pesquisadoras, curadoras e produtoras de Belo Horizonte, que traçam um panorama dos últimos 20 anos da produção de mostras e pesquisas sobre o cinema feito por mulheres. Completa o volume uma seleção de artigos licenciados que dialogam co...

A representação de uma bissexualidade complexa por uma narração complexa em O Efeito Urano, de Fernanda Young

Imagem
  Saiu um trabalho novo: A representação de uma bissexualidade complexa por uma narração complexa em O Efeito Urano , de Fernanda Young. Nas minhas buscas constantes de representações complexas da bissexualidade, divido esse texto com vocês. Ele foi apresentado no congresso Amores Literários e agora está no E-book. Leia aqui.   Se o link acima não funcionar, clique aqui e busque o título do texto no meu perfil. Resumo Este artigo analisa o romance “O Efeito Urano” (2001), de Fernanda Young, com foco na representação da bissexualidade da personagem Cristiana. O enredo aborda a relação de Cristiana com a amiga Helena enquanto ainda é casada com Guido. A narrativa apresenta uma estrutura complexa, articulando diferentes perspectivas para explorar a subjetividade da protagonista. O objetivo principal da análise é compreender de que maneira a bissexualidade de Cristiana é representada esteticamente, destacando como a alternância de vozes narrativas contribui para uma representação...

Toda vez que eu sinto a morte de alguém

Da newsletter , replicada aqui.  Toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu me repasso as mesmas perguntas. Como uma prova, um checklist da vida. Toda vez que eu sinto a morte de alguém, pelo motivo que for. Eu me pergunto por que não estou escrevendo os textos que preciso escrever. Por que não estou lendo os meus livros? Por que não estou comendo direito? Por que evito os exames? Por que deixo o meu corpo em tensionamentos de ansiedades e preocupações que já aprendi que não são minhas? Toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu me encorajo profundamente a continuar sendo essa mulher que vai atrás do que quer, que é absolutamente comprometida com seus desejos. Ainda mais se sinto a morte de uma mulher que sempre foi assim. Me encorajo a continuar toda vez que eu sinto a morte de alguém que viveu o corpo, que falou o que pensa, que desafiou os misóginos. Não só eles. Mas toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu fortaleço a ideia de continuar incomodando os misóginos. Eles estão...

Coisas que escrevi

Imagem
Da newsletter , replicada aqui.  Coisas que escrevi recentemente. Reflexões pessoais, textinhos aleatórios, frases sem compromisso. Coisas que escrevi. Todas com cara de absurdo Completamente atolada de tarefas. Na televisão de fundo tem uma mulher aos prantos porque o homem que a estuprou foi solto, ficou alguns meses na cadeia. Todas escutam com cara de absurdo. Completamente atolada de tarefas. Estou indo realizar o meu maior sonho nos próximos dias. Completamente atolada de tarefas. Ansiedade travando o corpo de um jeito que viro uma concha. Paro em frente à televisão. Todas com cara de absurdo. Fico ali presa uns minutos. Completamente atolada de tarefas. Medo de não dar tempo e fazer tudo, muitas frentes, entregas antes da ida, tarefas sobre o sonho. Ansiedade travando o corpo de um jeito que viro uma concha. Preciso levantar a cabeça, erguer o queixo feito gente metida. Fazer as tarefas com calma. Respirar fundo. Realizo meu maior sonho nos próximos dias. Sei que sou mulher....

Beleza Fatal, Carnaval, filme bissexual e outros assuntos sem rima

Imagem
pautas que já estão bem velhas, mas eu consegui inaugurar a newsletter só agora! meu tempo é mais importante que o tempo da internet. publicação originalmente da minha newsletter, link no fim do texto :)  BELEZA FATAL É UMA (ÓTIMA) CARICATURA DO PRÓPRIO GÊNERO Decidi que vou escrever um artigo sobre essa novela. Aqui, então, jogo alguns pensamentos iniciais somente para começar a digerir as ideias e fazer a pesquisa depois. Beleza Fatal é uma novela do streaming (MAX), com quarenta capítulos fechadinhos que foram liberados, de cinco em cinco, a cada semana. Podemos pensar que os capítulos foram feitos para se assistir a um por dia, seguindo o ritual da novela nossa de cada noite. Mas podíamos ver tudo de uma vez, se assim quiséssemos. Podíamos maratonar a novela que nem série, exceto pelo seu último capítulo, que seguiu a tradição e juntou todo mundo no mesmo dia e horário para acompanhar o desfecho. Beleza Fatal foi estruturada nas características da telenovela, mas não em sua ca...

ciclo cinema e literatura - me chame pelo seu nome

Imagem
O grupo de pesquisa Mídia e Narrativa realiza neste semestre, junto ao curso de Cinema e Audiovisual, o ciclo “Cinema e Literatura”. Na atividade, serão debatidas adaptações fílmicas de obras literárias. As atividades serão sempre às quartas-feiras, de 13h30 às 17h, na sala Multimeios do prédio 13. O primeiro encontro aconteceu na última quarta-feira, dia 19 de março. Eu, Nanda Rossi, comentei como o livro “Me chame pelo seu nome”, de André Aciman, foi levado ao cinema por Luca Guadagnino. Coloquei livro e filme para conversar. No dia 23 de abril, Bruna Oliveira debate “O Diabo na Rua no Meio do Redemunho”, de Bia Lessa, adaptado de “Grande sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa. E, no dia 14 de maio, Simone Moura e Zeca Lemos comentam a adaptação do livro “Ainda estou aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, pelo cineasta Walter Salles. Eventualmente irei publicar o trabalho que originou essa aula e, claro, divulgo aqui. :)