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o clubinho dos que querem viver pouco

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o clubinho dos que querem viver pouco está cheio de homens apavorados. o clubinho gosta do mundo conhecido, os mesmos finais de semana, as mesmas mulheres inseguras, a mesma evitação de investigar as perebas internas. no clubinho dos que querem viver pouco tem um monte de homem dentro de um poço, acenando para mulheres que estão do lado de fora iluminadas pelo sol. viver pouco, bem pouquinho, beijar na boca do medo, ser só isso aí mesmo, viver no quentinho da masculinidade. passo na porta, quase entro, meus instintos de felina se interessam pelo cheiro, pelas belezas. passo na porta, vou embora. meus cabelos pretos brilham com o sol, viajam o mundo, minha boca dá rugidos doces pra centenas de pessoas, meu corpo inteiro respira de alívio por poder morrer sabendo que sei viver. neurônios gigantes que nunca conseguem entender o clubinho dos que querem viver pouco.

eu vou escrever sobre vocês

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   eu vou escrever sobre vocês. porque eu escrevo sobre os meus casos, os meus amores, os meus desejos. escrevo desde quando eu era uma menina e minha coleguinha perguntava de quem eu gostava e eu falava três nomes em sequência no ouvido dela. eu vou escrever. porque eu sempre escrevi. quase ninguém escapa. um dia junto tudo e publico. por enquanto, os textinhos desse ano, aqui e na newsletter, sem preocupação com qualidade porque meu trabalho é outro. eu só preciso e vou escrever sobre vocês.

ainda bem que eu fiz cinema

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ontem eu ouvi “ainda bem que eu fiz cinema”. ainda bem que eu fiz cinema. parece que fazer cinema diz de um compromisso com o prazer, com a alegria, com a bobagem. diz de gente que escolheu fazer o que gosta mesmo depois da infância. ainda que a gente encontre muitos que abandonam a bobagem porque se levam a sério demais. ainda que a gente pague o preço de fazer o que gosta num mundo que remunera quem endurece mais. ainda bem que fiz cinema pelo prazer e pela bobagem, ainda sendo profundamente comprometida e dedicada. prazer é coisa séria. a gente que não é. ainda bem que meu dia a dia é falar de cinema. ainda bem que minha rotina é ver e ler as maravilhosas bobagens seríssimas que as pessoas filmam e os meninos escrevem. ainda bem que eu nunca me afastei do meu casamento longo e perfeito com o prazer. ainda bem que eu fiz cinema. 22 de maio

Trânsitos Bissexuais - Texto publicado no livro Conversas

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Participei do projeto do livro Conversas: oralidade e escrita em narrativas audiovisuais por mulheres (2026). Estive na equipe de produção editorial e colaborei como autora, escrevendo o texto Trânsitos Bissexuais .  O texto é um breve passeio pelas minhas ideias de representação e estéticas da bissexualidade a partir das minhas pesquisas desde a graduação. É um convite ao tema, na esperança que se despertem interesses para conversas mais longas.  Acesse o livro aqui. Meu texto está na página 209. O livro Conversas estrutura-se a partir do encontro com cinco realizadoras: Beth Formaggini, Isabel Casimira, Júnia Torres, Sophia Pinheiro e Sueli Maxakali. A publicação conta ainda com uma seção de entrevistas e ensaios inéditos realizados por pesquisadoras, curadoras e produtoras de Belo Horizonte, que traçam um panorama dos últimos 20 anos da produção de mostras e pesquisas sobre o cinema feito por mulheres. Completa o volume uma seleção de artigos licenciados que dialogam co...

A representação de uma bissexualidade complexa por uma narração complexa em O Efeito Urano, de Fernanda Young

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  Saiu um trabalho novo: A representação de uma bissexualidade complexa por uma narração complexa em O Efeito Urano , de Fernanda Young. Nas minhas buscas constantes de representações complexas da bissexualidade, divido esse texto com vocês. Ele foi apresentado no congresso Amores Literários e agora está no E-book. Leia aqui.   Se o link acima não funcionar, clique aqui e busque o título do texto no meu perfil. Resumo Este artigo analisa o romance “O Efeito Urano” (2001), de Fernanda Young, com foco na representação da bissexualidade da personagem Cristiana. O enredo aborda a relação de Cristiana com a amiga Helena enquanto ainda é casada com Guido. A narrativa apresenta uma estrutura complexa, articulando diferentes perspectivas para explorar a subjetividade da protagonista. O objetivo principal da análise é compreender de que maneira a bissexualidade de Cristiana é representada esteticamente, destacando como a alternância de vozes narrativas contribui para uma representação...

Toda vez que eu sinto a morte de alguém

Da newsletter , replicada aqui.  Toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu me repasso as mesmas perguntas. Como uma prova, um checklist da vida. Toda vez que eu sinto a morte de alguém, pelo motivo que for. Eu me pergunto por que não estou escrevendo os textos que preciso escrever. Por que não estou lendo os meus livros? Por que não estou comendo direito? Por que evito os exames? Por que deixo o meu corpo em tensionamentos de ansiedades e preocupações que já aprendi que não são minhas? Toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu me encorajo profundamente a continuar sendo essa mulher que vai atrás do que quer, que é absolutamente comprometida com seus desejos. Ainda mais se sinto a morte de uma mulher que sempre foi assim. Me encorajo a continuar toda vez que eu sinto a morte de alguém que viveu o corpo, que falou o que pensa, que desafiou os misóginos. Não só eles. Mas toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu fortaleço a ideia de continuar incomodando os misóginos. Eles estão...

Coisas que escrevi

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Da newsletter , replicada aqui.  Coisas que escrevi recentemente. Reflexões pessoais, textinhos aleatórios, frases sem compromisso. Coisas que escrevi. Todas com cara de absurdo Completamente atolada de tarefas. Na televisão de fundo tem uma mulher aos prantos porque o homem que a estuprou foi solto, ficou alguns meses na cadeia. Todas escutam com cara de absurdo. Completamente atolada de tarefas. Estou indo realizar o meu maior sonho nos próximos dias. Completamente atolada de tarefas. Ansiedade travando o corpo de um jeito que viro uma concha. Paro em frente à televisão. Todas com cara de absurdo. Fico ali presa uns minutos. Completamente atolada de tarefas. Medo de não dar tempo e fazer tudo, muitas frentes, entregas antes da ida, tarefas sobre o sonho. Ansiedade travando o corpo de um jeito que viro uma concha. Preciso levantar a cabeça, erguer o queixo feito gente metida. Fazer as tarefas com calma. Respirar fundo. Realizo meu maior sonho nos próximos dias. Sei que sou mulher....