
o clubinho dos que querem viver pouco está cheio de homens apavorados. o clubinho gosta do mundo conhecido, os mesmos finais de semana, as mesmas mulheres inseguras, a mesma evitação de investigar as perebas internas. no clubinho dos que querem viver pouco tem um monte de homem dentro de um poço, acenando para mulheres que estão do lado de fora iluminadas pelo sol. viver pouco, bem pouquinho, beijar na boca do medo, ser só isso aí mesmo, viver no quentinho da masculinidade. passo na porta, quase entro, meus instintos de felina se interessam pelo cheiro, pelas belezas. passo na porta, vou embora. meus cabelos pretos brilham com o sol, viajam o mundo, minha boca dá rugidos doces pra centenas de pessoas, meu corpo inteiro respira de alívio por poder morrer sabendo que sei viver. neurônios gigantes que nunca conseguem entender o clubinho dos que querem viver pouco.
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