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Mostrando postagens com o rótulo escrevenanda

o clubinho dos que querem viver pouco

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o clubinho dos que querem viver pouco está cheio de homens apavorados. o clubinho gosta do mundo conhecido, os mesmos finais de semana, as mesmas mulheres inseguras, a mesma evitação de investigar as perebas internas. no clubinho dos que querem viver pouco tem um monte de homem dentro de um poço, acenando para mulheres que estão do lado de fora iluminadas pelo sol. viver pouco, bem pouquinho, beijar na boca do medo, ser só isso aí mesmo, viver no quentinho da masculinidade. passo na porta, quase entro, meus instintos de felina se interessam pelo cheiro, pelas belezas. passo na porta, vou embora. meus cabelos pretos brilham com o sol, viajam o mundo, minha boca dá rugidos doces pra centenas de pessoas, meu corpo inteiro respira de alívio por poder morrer sabendo que sei viver. neurônios gigantes que nunca conseguem entender o clubinho dos que querem viver pouco.

eu vou escrever sobre vocês

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   eu vou escrever sobre vocês. porque eu escrevo sobre os meus casos, os meus amores, os meus desejos. escrevo desde quando eu era uma menina e minha coleguinha perguntava de quem eu gostava e eu falava três nomes em sequência no ouvido dela. eu vou escrever. porque eu sempre escrevi. quase ninguém escapa. um dia junto tudo e publico. por enquanto, os textinhos desse ano, aqui e na newsletter, sem preocupação com qualidade porque meu trabalho é outro. eu só preciso e vou escrever sobre vocês.

ainda bem que eu fiz cinema

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ontem eu ouvi “ainda bem que eu fiz cinema”. ainda bem que eu fiz cinema. parece que fazer cinema diz de um compromisso com o prazer, com a alegria, com a bobagem. diz de gente que escolheu fazer o que gosta mesmo depois da infância. ainda que a gente encontre muitos que abandonam a bobagem porque se levam a sério demais. ainda que a gente pague o preço de fazer o que gosta num mundo que remunera quem endurece mais. ainda bem que fiz cinema pelo prazer e pela bobagem, ainda sendo profundamente comprometida e dedicada. prazer é coisa séria. a gente que não é. ainda bem que meu dia a dia é falar de cinema. ainda bem que minha rotina é ver e ler as maravilhosas bobagens seríssimas que as pessoas filmam e os meninos escrevem. ainda bem que eu nunca me afastei do meu casamento longo e perfeito com o prazer. ainda bem que eu fiz cinema. 22 de maio

Toda vez que eu sinto a morte de alguém

Da newsletter , replicada aqui.  Toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu me repasso as mesmas perguntas. Como uma prova, um checklist da vida. Toda vez que eu sinto a morte de alguém, pelo motivo que for. Eu me pergunto por que não estou escrevendo os textos que preciso escrever. Por que não estou lendo os meus livros? Por que não estou comendo direito? Por que evito os exames? Por que deixo o meu corpo em tensionamentos de ansiedades e preocupações que já aprendi que não são minhas? Toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu me encorajo profundamente a continuar sendo essa mulher que vai atrás do que quer, que é absolutamente comprometida com seus desejos. Ainda mais se sinto a morte de uma mulher que sempre foi assim. Me encorajo a continuar toda vez que eu sinto a morte de alguém que viveu o corpo, que falou o que pensa, que desafiou os misóginos. Não só eles. Mas toda vez que eu sinto a morte de alguém, eu fortaleço a ideia de continuar incomodando os misóginos. Eles estão...

Coisas que escrevi

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Da newsletter , replicada aqui.  Coisas que escrevi recentemente. Reflexões pessoais, textinhos aleatórios, frases sem compromisso. Coisas que escrevi. Todas com cara de absurdo Completamente atolada de tarefas. Na televisão de fundo tem uma mulher aos prantos porque o homem que a estuprou foi solto, ficou alguns meses na cadeia. Todas escutam com cara de absurdo. Completamente atolada de tarefas. Estou indo realizar o meu maior sonho nos próximos dias. Completamente atolada de tarefas. Ansiedade travando o corpo de um jeito que viro uma concha. Paro em frente à televisão. Todas com cara de absurdo. Fico ali presa uns minutos. Completamente atolada de tarefas. Medo de não dar tempo e fazer tudo, muitas frentes, entregas antes da ida, tarefas sobre o sonho. Ansiedade travando o corpo de um jeito que viro uma concha. Preciso levantar a cabeça, erguer o queixo feito gente metida. Fazer as tarefas com calma. Respirar fundo. Realizo meu maior sonho nos próximos dias. Sei que sou mulher....

Beleza Fatal, Carnaval, filme bissexual e outros assuntos sem rima

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pautas que já estão bem velhas, mas eu consegui inaugurar a newsletter só agora! meu tempo é mais importante que o tempo da internet. publicação originalmente da minha newsletter, link no fim do texto :)  BELEZA FATAL É UMA (ÓTIMA) CARICATURA DO PRÓPRIO GÊNERO Decidi que vou escrever um artigo sobre essa novela. Aqui, então, jogo alguns pensamentos iniciais somente para começar a digerir as ideias e fazer a pesquisa depois. Beleza Fatal é uma novela do streaming (MAX), com quarenta capítulos fechadinhos que foram liberados, de cinco em cinco, a cada semana. Podemos pensar que os capítulos foram feitos para se assistir a um por dia, seguindo o ritual da novela nossa de cada noite. Mas podíamos ver tudo de uma vez, se assim quiséssemos. Podíamos maratonar a novela que nem série, exceto pelo seu último capítulo, que seguiu a tradição e juntou todo mundo no mesmo dia e horário para acompanhar o desfecho. Beleza Fatal foi estruturada nas características da telenovela, mas não em sua ca...

notinha sobre a fernanda torres

Estava vendo a Fernanda Montenegro na televisão homenageando a filha, dizendo que ela e a nossa cultura atravessaram a Linha do Equador. Puxando Chico Buarque, ela disse que graças a Deus não existe pecado desse lado do Equador. Eu acho que é isso que faz a gente, eu acho que é isso que faz a Fernanda Torres. Não tem pecado, não tem barreira, tem é cinema e televisão, tem é "totalmente drogada" e "totalmente premiada", tem é loucura e elegância juntas ao mesmo tempo aqui agora abaixo da linha. Ultrapassando a linha. Borrando as linhas. Eu repito muito que quero cada vez mais viver uma vida mais artista. É um mote, é um meio. Uma vida mais artista é uma vida mais Fernanda, sabe? Uma vida slaps and kisses, os normais e golden globes. Uma vida mais artista é toda essa pulsão de vida que a gente sente hoje, essa vida aqui debaixo da Linha do Equador. 6 jan

que 2025 seja gostoso de viver como é gostoso de dizer

que 2025 seja gostoso de viver como é gostoso de dizer gosto muito de começo de ano o réveillon tem uma energia jovem energia que eu ando bebendo igual água fresca pra não enferrujar, como é minha tendência os primeiros meses do ano são os meses do corpo a gente canta Ivete Sangalo a gente beija na boca e comemora o meu aniversário nos primeiros meses do ano o trabalho não parece ser mais importante que os amigos coisas muito boas estranhamente me acontecem depois de setembro mas é nos primeiros meses nesses primeiros meses que eu sou uma grande festa 01 jan

eu quero escrever uma newsletter

Eu quero escrever uma newsletter. Quero escrever uma newsletter mensal. Quero publicar um livro de poesias. Quero organizar todas as minhas poesias desde pequetita e lançar um livro num ano bem redondo. Eu quero escrever a minha newsletter todo mês. Quero que você leia, quero que cada um vá receber uma dedicatória específica e cheia de enigmas. Quero falar de televisão, contos, fofocas possíveis, pensamentos doidões sobre gênero e bissexualidade. Quero morar mais no centro. Quero dates a cada uma semana ou duas. Quero ir comprar biscoitos e goiabada no mercado central. Quero ser professora universitária. Quero voltar a conversar nos meus idiomas. Quero ir pro Rio sair com uma menina e um menino de lá. Quero voltar à Itália. Quero mais que tudo voltar a me permitir dizer que meu maior sonho é voltar à Itália. Quero continuar do ponto que duramente alcancei de gostar de chamar atenção. Quero continuar crescendo vertiginosamente. Quero contar pra Nanda menina que ela não odeia mais chamar...

oh! to be 31, live alone and dance around the house

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  da madrugada:⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ são 02:47 de sexta pra sábado. me peguei rolando meu feed do instagram até bem mais embaixo, na época que eu tava me formando em cinema. nesse caminho nostálgico, eu encontrei muitos textos corajosos, abertos, explícitos sobre a minha saúde mental. fiquei impressionada. lembrei de tudo mais uma vez. como foi difícil viver os meus vinte. e como eu fiz coisas grandiosas, admiráveis pra idade e ainda vivi um tanto, mesmo doente e apavorada. como eu era lindamente vulnerável sobre o que pensava e sentia, como sempre fui assim. vi um texto em que eu falava que tremia o tempo todo que estava na rua. que o normal era isso. e era verdade. como eu era corajosa. braba mesmo de insistir na vida e de nunca ter tido medo de compartilhar nada com vocês. são 2h53 da sexta pro sábado, amanhã vou viver um monte porque meus quase trinta e dois andam sendo muito felizes, saudáveis, verdadeiramente tranquilos e em completa homenagem à nanda que fui aos vinte. ela, insistente, s...

escrever de um tudo

Eu vou parar de fingir que não quero escrever literatura, que não quero fazer ficção da minha vida, contar meus casos em contos, narrar meus acontecimentos nos mais diversos lugares dessa cidade, contar quando morei em outra, fabular em minha trajetória. Eu quero fazer meus artigos, quero fazer minha tese e quero ainda escrever um livro só sobre bissexualidade. Mas eu não posso mais fingir que não quero fazer dos homens personagens e das mulheres estrelas. Não posso mais fingir que não vou fazer poemas, pendurar as estrofes na parede, fazer literatura com o tempo. Outro dia conversei com um amigo sobre como não dá mais pra eu não admitir que sou fofa e afetuosa, que também não dá mais pra eu volta e meia duvidar da minha inteligência. Coisas que já superei. Começo a admitir que também não dá mais pra reprimir essa criatividade. Quero escrever de um tudo. Bom, ruim, excelente, péssimo. Quero me autorizar a fazer.  setembro de 2024

mulher das artes

Hoje acordei toda alegrinha porque ontem estudei até a mente derreter. Hoje minha psicóloga disse que eu sou uma mulher das artes. Eu sou. Sentei aqui no café e fiquei muito feliz com a playlist. Só música que eu gosto. Tava tocando uma que eu ando amando, que diz que words can only do harm. Discordo dessa parte. Palavras me fazem engolir mais palavras. Que prazer a literatura. Eu quero explorar o que o texto diz, eu quero explorar o que dizem do texto, eu quero dizer do texto e do que dizem do texto e eu quero dizer os meus próprios textos. Eu tinha esquecido como a Letras me faz escrever. Mais arte me faz mais artista. Mulher das artes. Hoje tomei um belo corte na análise, respondendo a uma pergunta sobre meu pai. O movimento da psicanálise de desvendar os sentidos da linguagem me lembra que faço tarefas semelhantes na sala de aula e ali na sessão. Analiso palavras. Tenho uma guia para os meus raciocínios nos dois espaços e sei que essas são das coisas que mais amo fazer. Eu achava q...

II seminário nacional de estudos bissexuais

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sempre vai ter um monte de nerd que curte a mesma coisa que você. encontre a galera que entende suas piras. a minha pira é essa e agora as minhas fotos com a bandeira bissexual estão renovadas e, se vocês repararem, eu não apareço mais nelas sozinha ou com duas ou três pessoas como no começo da minha jornada. comentei com inácio que nos agradecimentos da minha dissertação agradeci ao movimento bissexual, à comunidade. e tenho certeza que nos agradecimentos da tese, que um dia irá existir, eu terei que listar uma série de grupos além dos que citei antes. porque agora, além da comunidade valiosa de antes, eu tenho também a prática de trocar as minhas viagens de pesquisa, as minhas abstrações, com pessoas pesquisadoras da bissexualidade, que viajam junto comigo e que ajudam a encontrar respostas - ou perguntas, mais frequentemente. poder ter essa comunidade como pesquisadora é ouro. como dá pra ver e sentir, eu fui muito feliz na minha experiência no senabi e principalmente no GT de comun...

I encontro nacional do movimento bissexual brasileiro

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 _os encontros do encontro_ Como vocês podem ser pessoas tão afetuosas, inteligentes, gatas, que fazem coisas incríveis e se destacam no que fazem, tudo ao mesmo tempo agora? Esse encontro ia dar certo, já que vocês eram responsáveis por ele e, poxa, basta olhar pra vocês. Gente ativa, de mente esperta, coração disponível e corpo disposto. A gente faz o que a gente quiser. Cheguei na quinta-feira à noite em uma ansiedade quase birra, porque todo mundo estava aqui menos eu. Sexta-feira cheguei no espaço o mais cedo que consegui e foi trabalho, emoção e trabalho. Chorei sem nem conseguir perceber logo na mesa de abertura. Tudo depois continuou também lindo e depois quero tentar falar das mesas, da programação, do legado. No fim do dia, chorei de novo na roda de validação e acolhimento. Falar de bissexualidade e comunidade pra mim é sensível e lindo. Ainda deu pra relaxar em um tempo curto, mas que me deixou ter brindes e risadas pra abastecer pra manhã seguinte. Sábado foi mais um di...

trajetória bi

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[lá vem a emocionada fazer textão!!!] _meus encontros_ por aqui são cerca de onze anos de reconhecimento e luta pela bissexualidade.  coisas que só vieram juntas porque em uma sorte salvadora, eu logo de cara encontrei o movimento.  e, mesmo nas fases mais focadas na militância, na pesquisa ou na manutenção da vida, sempre foi tudo tudo tudo sobre os encontros. em todos os espaços em que circulei: nas universidades, nas ruas de beagá, em cima do trio na parada, no twitter, nas mil lives pandêmicas, nos espaços públicos, no CRJ, no CRP-MG, na Frente Autônoma LGBT, na Frente Bi de BH, na UFMG, na Fumec, na PUC, nos DAs, nos eventos acadêmicos, nas conferências municipal e estadual, n’O Tempo, no Cine B, no Senabi, na Frente Bissexual Brasileira, na mesa de bar e na casa das pessoas. (e a escolha das fotos foi uma tentativa dificílima de representar a maioria deles). <em todo e qualquer espaço que eu tenha frequentado, o que sempre me foi central foram os ENCONTROS.> eles m...

sem constrangimento

sem constrangimento, gargalhar com o corpo todo durante o filme delicioso que o professor passa. sem constrangimento, chorar no rosto inteiro vendo uma cena de feminicídio na série que tava passando na tevê. sem constrangimento, conseguir contar que fiquei profundamente sentida com um post em homenagem aos porcos dizendo que eles mereciam vida melhor nessa terra.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ sem constrangimento, falar que me emociono muito, por qualquer coisa, mas que qualquer coisa é coisa grande pra gente sensível como eu.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ sem constrangimento, ter um corpo. tentar não conter esse corpo que se mexe quando sente tudo isso. tentar soltar, soltar, soltar, um milímetro mais solta a cada vez.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ sem constrangimento, ser quem eu sou e ir de oposto ao que ensinaram pra gente aqui do meu gênero, aqui do meu estado, fechadas no corpo que só. ⠀⠀⠀⠀ sem constrangimento, tentar. tentar existir nesse mundo um pouquinho a cada dia. relaxar o rosto, abrir bem os braços, gargalhar pra cima, chorar livre, f...

festcurtas

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festcurtas é muito intenso. é pela terceira vez muito intenso. é um evento de dentro-e-fora da sala de cinema em que entro-saio-entro-saio quarenta mil vezes. é onde falo alto do lado de fora e controlo os barulhos do meu corpo do lado de dentro. converso, danço do lado de fora e medito, escuto do lado de dentro. festcurtas é um evento sempre intenso. no meio dos vários dias, em algum momento da semanona, eu canso e falo que não quero mais ver nenhum filme e só quero voltar pra minha oitava temporada de law and order svu. mas eu volto bonita no dia seguinte e no seguinte e no seguinte. esse ano eu fui júri. o tanto que foi bom conversar com essas pessoas. foi gostoso, inteligente, engraçado e fluido. foi uma delícia fazer pra esse trabalho o que eu mais amo e faço todos os dias da minha vida: ver e pensar as coisas, reconhecer os símbolos e levar os símbolos adiante. eu gosto muito dessa vida hoje de trinta e um anos e arte todo dia. eu saio desses filmes querendo fazer um filme. eu sa...

pequena oração do afeto

com afeto eu resolvo tudo, porque sou feita de afeto. pelo afeto eu resolvo tudo, pois essa é minha metodologia. pelo afeto tudo se faz e tudo se cria e nele me reconheço. pelo afeto eu te devolvo afeto, construímos castelos doces e problemas duros se dissolvem nas nossas bocas. com afeto você fala minha língua e minha linguagem se desenvolve, alcança seu ápice e eu resolvo qualquer enigma. com afeto tudo posso. nele tudo consigo. dele sou feita e nele me fortaleço.

sopa de letrinhas

fui provar, megulhei.

a bruxa

eu fiz trinta anos e a bruxa quis sair. com centenas de anos, ela está presa aqui há trinta. ela se força pra fora do casulo e por isso que tanto dói. como dói, como dói. ela me fez crescer os cabelos ao longo do tempo, longos ao infinito, pois precisa, com eles, tocar a terra pra fazer sua mágica. a bruxa grita, clama pra que eu a deixe sair. pra que eu grite junto com ela. pra que eu gargalhe com ela. a bruxa com o cachorro preto. a sacerdotisa. você vai encontrá-la no seu templo, cultivando sua sabedoria e sentindo seu coração que tudo a diz. todos os segredos do mundo estão dentro dele, estão todos dentro dela. com respeito aos caminhantes erráticos, ela é quieta e certeira. ela está quase, quase saindo. vai explodir! a bruxa me estica a postura, porque precisa do céu pra combinar com a terra. ela existe por ela mesma e só assim existe por todos os outros seres ao seu redor. ela quer que eu enfie os dedos nas terras, que eu fique em silêncio com a cachorra preta, em conversas profu...